Pedro Filipe Araújo de Albuquerque

03 de Fevereiro de 2013

IDADE: 22 anos.
FORMAÇÃO: 
Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE).
QUANTOS CONCURSOS JÁ REALIZOU: 6 concursos.
CARGO QUE OCUPA: 
Analista Judiciário – Área Judiciária do TRT 6ª Região (PE).
OBJETIVO FINAL NA CARREIRA PÚBLICA: Procurador do Trabalho.

Por que resolveu fazer concursos?

 

O principal motivo foi o de fugir da exploração capitalista sobre a mão-de-obra dos não empresários. Além disso, a estabilidade, boa remuneração e a tranquilidade do serviço público federal foram decisivas. Também gosto de trabalhar e estudar na área jurídica, principalmente do lado do estado.

 

Fale um pouco de sua trajetória nos concursos públicos:

 

Recordo-me com clareza que, durante ano de 2009, momento em que eu cursava meu quarto semestre da graduação jurídica da Faculdade de Direito do Recife (UFPE), surgiu uma oportunidade para prestar concurso de estágio do Ministério Público de Pernambuco. Lembro que separei alguns códigos comentados das matérias exigidas pelo certame sobre os quais me debrucei durante duas semanas.

 

Após uma prova objetiva razoável e uma redação boa, porém infeliz, fui reprovado. Para mim, representou uma grande derrota, uma vez que saíra recentemente de uma relação amorosa fracassada. Além disso, após a referida empreitada falida, fui reprovado até no exame prático do DETRAN. Foi o “fundo do poço”, nunca me senti tão incapaz!

Foi então que decidi mudar minha rotina radicalmente. Tracei o ousado objetivo de passar em um concurso público para ser servidor público de cargo efetivo antes de terminar meu curso de direito. Nunca tinha sido considerado um gênio durante a minha graduação, mas acreditava que com muito esforço poderia alcançar a meta. Após tal atitude interior, matriculei-me em um curso para concurso do MPU, que seria o próximo bom concurso para servidor.

 

Foi uma época difícil, uma vez que minha mesada não passava de R$ 50,00 semanais, os quais eu usava quase todo para custear meus almoços que ocorriam entre as aulas matutinas da faculdade e as aulas vespertinas do curso. Ao chegar em casa, após fazer uso do sofrível transporte público, ainda me aventurava a estudar algumas horas. Concentrei meus estudos nas matérias que haviam sido cobradas último concurso de técnico administrativo do MPU.

Após cerca de 6 meses estudando “a ferro e fogo”, veio o tão esperado edital para o concurso de servidor do MPU em 2010. Para minha desagradabilíssima surpresa, as matérias tinham mudado quase todas. Estudei direito constitucional, administrativo, do trabalho, penal e civil. As matérias requeridas eram administração de materiais, administração financeira e orçamentária, gestão de pessoas, constitucional, administrativo e LC que rege o MPU.

 

Foi traumático, mas senti que se eu estudasse mais que todos, durante dois meses, poderia lutar pela vaga, já que muitos, assim como eu, foram surpreendidos com a mudança gigantesca em relação ao edital anterior. Lembro que estudei pela manhã, à tarde e à noite durante dois meses, chegando a estudar 9 horas diárias. Como tenho familiares candangos, optei por disputar uma vaga no DF. Galguei a posição 569 em um universo de 90.000 candidatos. Como o referido órgão ministerial costuma chamar muito para Brasília, me considerei um verdadeiro aprovado. Malgrado ter conseguido vencer, quem acompanhou o concurso do MPU 2010 sabe quão sofridas foram as nomeações.

Necessitava de uma nova meta. A esta altura eu já estudava cerca de 4 horas durante todos os dias úteis. Foi aí que prestei o concurso de estágio da Procuradoria Regional do Trabalho da 6ª Região, alcançando a 2ª colocação. Durante meu estágio, fiquei conhecido por ser o “estagiário da biblioteca”. Alguns servidores se surpreendiam quando descobriam que eu era estagiário de direito lotado em gabinete. Durante um ano, eu acordei às 06.00 a.m., partindo de casa às 07.00 e chegando às 08.00 na biblioteca do estágio por meio de caronas que meu amado pai me prestava. Sempre lembrarei. Começara meus estudos em janeiro de 2010, já se estava em julho de 2011 e nada de haver editais atraentes para um simples nordestino. Nesse momento meus estudos estavam todos direcionados a TRTs.

Nesse contexto, foi publicado o edital do TRT de Sergipe. Por ser um estado perto da amada pátria Pernambuco, decidi fazer a prova. Estudei valentemente até o dia do certame. Fiz uma prova objetiva exuberante para o cargo de técnico administrativo, errando apenas 4 questões de 60.

 

Acontece que com um fatídico 8,0 na minha redação, cai da 11ª colocação para a 41ª. Em um tribunal pequeno como o sergipano, isso significava que minha tão sonhada vaga passara por entre meus dedos. Talvez não existam palavras que expressem minha decepção e frustração com o resultado. Mas eu sabia que estava no caminho certo, e como todo filho do Leão do Norte, deveria continuar com valentia.

Após alguns meses, na espera do edital do TRT6, surgiu o edital do celebrado e glorioso Tribunal de Justiça de Pernambuco. É um tribunal que chama tanto que até o pescador do meu bairro se inscreveu. Recordo que estude com intensidade durante 3 meses, com o apoio do nobre colega Pedro Eduardo, uma máquina de decorar dados objetivos! Fiquei amedrontado com a quantidade de concorrentes, além de desafiado por já estar estudando a cerca de 20 meses.

 

Após mais uma carona paterna, fiz as provas. Errei 09 questões para o cargo de técnico e 14 para analista de 60 questões. Fiquei muito triste, pois sabia que a vaga estava ameaçada. Entretanto, a prova foi mais difícil que o usual. Ah, como foi bom ver o resultado! Quando vi a minha colocação, a emoção tomou conta do meu ser: 1º colocado para técnico judiciário do polo 03 (Jaboatão e Cabo) e 153º para analista judiciário do polo 01 (Recife).

 

Gritei muito, vibrei com intensidade, abracei meus pais! A vitória fora alcançada! Quase batia o carro dirigindo o carro para o estágio e comemorando ao mesmo tempo! Esse concurso me rendeu a alcunha de Rei de Jaboatão! Registre-se que logo após o TJPE fui aprovado e nomeado analista ministerial do MP-AL, contudo não assumi tal cargo por não ser formado.

Apesar do momento de epifania, sabia que meu preparo tinha sido para o TRT de PE. Deveria continuar estudando bravamente, uma vez que o certame estava cada vez mais perto. Foi então que em março de 2012, saiu o edital com 60 vagas para analista! Eu estava no meu 9º período da graduação. Decidi disputar apenas a vaga pra analista judiciário. Lembro que me senti em uma final de Copa do Mundo. Após mais de dois anos, finalmente me deparei com as 4 horas que definiriam minha empreitada trabalhista.

 

Como de costume, antes da prova, invoquei as bênçãos cristãs. Para minha surpresa, ao abrir o caderno de prova, estava muito fácil, o que preocupou muito, pois em provas fáceis o nível de acertos para ser nomeado é muito alto. Ao sair do momento da prova, sabia que poderia errar pouco. Graças a Deus, não errei em direito (40 questões) e errei apenas 5 questões das matérias gerais (20 questões). Consegui um 8,5 na minha redação, o que me rendeu a 58ª colocação! A felicidade foi enorme. Mas como eu conseguiria me formar com UFPE em greve? Faltava-me ainda um semestre e eu podia ser nomeado a qualquer momento!

Nessa linha, ingressei com um processo administrativo junto à PROACAD da UFPE, para poder cursar as disciplinas faltantes em uma instituição particular e para apresentar minha monografia. Após dois longos meses, por meio do bom senso dos professores pernambucanos, o processo foi deferido com unanimidade.

 

Contudo, percebi que havia sido inscrito no ENADE e a política acadêmica é a de não permitir que o aluno cole grau sem realizar esta prova. Ante a tal situação, impetrei um Mandado de Segurança perante a Justiça Federal. Para minha grande surpresa e desespero, o Juiz do primeiro grau indeferiu o pleito. A essa altura, eu já havia sido nomeado pelo TRT6. Diante disso, interpus Agravo de Instrumento para o TRF da 5ª Região. Lembro-me bem da ansiedade.

 

O prazo para posse expiraria em uma sexta-feira e a liminar deferindo a colação sem a necessidade do ENADE foi prolatada na terça, para meu delírio! Movimentar toda máquina administrativa da UFPE para uma colação de grau de urgência foi um grande desafio, mas eivado de sucesso. Na quinta-feira (08-11-2012), com a graça do bom Deus, colei o grau no palácio da Faculdade de Direito do Recife e, durante a tarde do mesmo dia, tomei posse como Analista Judiciário-Área Judiciária do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região.

 

Apenas para mantar a lógica, como fui lotado em Sertânia, recebi o epíteto de Imperador de Sertânia! Ficam registrados meus agradecimentos a Deus, a meu pai e família e a todos as pessoas, e foram muitas, que ajudaram na antecipação do curso. A um tempo eu temia me formar e ficar desempregado, mas por meio de força e de fé, consegui galgar o meu objetivo com muita alegria. E sim: fui nomeado como técnico do MPU após dois anos de realizada a prova, o que me fez rir um pouco.

 

Qual a sua metodologia de estudo?

 

Estudar todos os dias úteis, cerca de 4 horas. É necessário que haja estrutura física para propiciar um estudo proveitoso, um excelente material de estudos e um conselheiro (que pode ser alguém, um site, um professor, sei lá). Sempre preferi ler do que assistir vídeos de aulas, mas cada pessoa tem um modo de assimilar melhor. Acredito que o verdadeiro aprovado é aquele que persiste por quanto tempo for necessário para ser aprovado.



Algumas dicas e conselhos que você acha interessante para quem está se preparando para um concurso público:

Olhe para a bandeira de Recife. Há um leão e uma cruz, com uma frase em latim que diz “Virtus et Fides”. Esse brocardo significa “força e fé”. Todo concurseiro de sucesso tem que ter a força de um Leão e a fé que pode conseguir. Tenha raça, dê o sangue, bote muito quente estudando e acredite que dá, porque realmente tu podes conseguir.

 

Além disso, faça cursos, leia muito lei seca, compre bons livros de concurso e pegue conselhos com os já aprovados. Por fim, não desista e tire força de suas reprovações.

Approved Empreendimentos Digitais

CNPJ: 26.835.989/0001-­47

Suporte: contato@fuiaprovado.com

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